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quinta-feira, 30 de março de 2017

Percentis, tabelas, gráficos e outras neuroses

Imagem - Simona Ciraolo
Não sei em que percentil se encontra a Margarida. Nem mesmo nos primeiros meses de vida. Isso mesmo, nunca soube. Recordo-me de ter ouvido uma ou outra referência aos valores, sei que foram anotados algures no boletim, pela médica, mas isso pouco me interessava. Interessa-me, apenas, que tudo esteja bem e que a médica confirme que o crescimento da Margarida se continua a desenrolar saudavelmente. 

Incomoda-me essa neurose das 'mãezinhas' - e, sim, desculpem lá, mas nesta questão os pais não têm nada que ser aqui chamados. Por acaso, já ouviram algum pai dizer "o meu filho está no percentil X", com aquele ar de quem, na verdade, quer dizer "o meu filho é muito maior e melhor nutrido que o teu!"? Não, pois não? Pois.

Mas as 'mãezinhas' adoram essas coisas. E isso, como tudo, é um pau de dois bicos - se serve para umas se gabarem porque o filho aos 3 meses veste roupa para 9 meses (e juram que até já está mesmo, mesmo a dizer "papá"), serve também para as mães de bebés mais pequeninos - não sendo isso sinónimo de qualquer tipo de sub-desenvolvimento -, se preocuparem, questionarem e os quererem empanturrar de comida, a ver se começam a encher mais a 'roupinha' (as 'mãezinhas'  também adoram diminutivos).

Acredito que, especialmente para quem se está a estrear nestas lides, seja altamente tentador guiar-se por algo que possa indicar se o crescimento do filho está a corresponder ao expectável para a idade. Se mama quando é suposto, se começa a segurar a cabeça quando é suposto, se já se senta sozinho quando é suposto, se começa a gatinhar e a andar quando é suposto, se aparece o primeiro dente (e os restantes) quando é suposto, se desfralda quando é suposto e por aí fora, até à adolescência. 

Uma das coisas mais básicas - e importantes - que aprendi ao longo destes 3 anos é que, simplesmente, isso não existe. Mas qual suposto?! Os nossos filhos são indivíduos, seres únicos, com os seus ritmos, as suas particularidades e imensas diferenças entre si - a todos os níveis! Se pararmos para reflectir um pouco, fará algum sentido esperar (refiro-me àquela expectativa repleta de ansiedades e medos) que os nossos filhos façam determinada coisa, só porque aquela tabela manhosa que encontrámos na net nos diz que aos X meses era "suposto" ele ser capaz de fazer ou dizer Y e Z? E, assim que o bebé cumpre o tão ansiado requisito, lá vai a 'mãezinha' colocar-lhe um visto mental em cima, suspirar de alívio e seguir para o próximo item da lista, que respeita uma qualquer ordem universal. 

'Mãezinhas', não comparem, não forcem, não stressem. Ninguém apresentou essas listas, tabelas e gráficos aos vossos filhos. Eles desconhecem a "suposta" ordem das coisas - essa não é, necessariamente, a deles. Elas simplesmente acontecem quando devem acontecer, quando corpo e mente estiverem preparados para esse passo. O importante não é se o vosso filho é o mais alto, o que andou mais cedo, o que tem 5 dentes a mais do que era "suposto" para a idade, ou se largou as fraldas (forçado pela 'mãezinha') aos 15 meses, 3 semanas e 2 dias. É importante, sim, sabermos se os nossos filhos se estão a desenvolver bem e de forma saudável. Mas sem timings, sem pressões, sem tabelas, gráficos e outras neuroses que só desvirtuam o processo - o de ver crescer um filho, de ajudá-lo, de incentivá-lo, de respeitar os seus ritmos e, simplesmente, vê-lo florescer. 


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terça-feira, 5 de julho de 2016

Rumo à mãe que agora desejo ser

Imagem via Pinterest
Desde que a Margarida nasceu, as minhas aprendizagens são diárias. Uma das primeiras lições que a Margarida fez questão de me dar foi que, definitivamente, cada bebé é único. 

Mesmo antes de sequer pensar em ser mãe, já tinha a mania que percebia muito do assunto. Não opinava sobre a educação de filhos alheios, mas tinha sempre uma opinião. Quando a minha afilhada nasceu, há quase 9 anos atrás, comecei a consumir tudo o que me aparecia sobre bebés, crianças, psicologia infantil, estágios de desenvolvimento e por aí em diante. Fiz ali um estágio que me fez sentir mestre na coisa.

Sempre tive uma ideia relativamente clara de quem gostaria de ser enquanto mãe – uma mistura equilibrada de brincadeira, afecto e disciplina.

AHAHAHAHAHAHAHA!

Como se eu pudesse ser a mãe que sempre imaginei, sem atender a quem seria o/a filho/a. Como se esses fossem papeis estanques. Como se eu pudesse ignorar a parte mais importante e decisiva na equação da maternidade: o filho. 

Eis que chega a Margarida. Uma bebé ainda mais perfeita do que imaginava... mas muito mais chorona e insatisfeita do que poderia imaginar ser possível. Quando nasceu, o médico comentou ‘que belos pulmões’, e essa foi a única vez em que o choro dela me fez feliz. Na verdade, nunca se tratou de um choro -  a Margarida gritava, berrava a plenos e belos pulmões. Com cólicas? Não, o tempo todo, excepto a ser alimentada ou a dormir. A Margarida sempre foi impaciente, sempre teve uma voz que se faz ouvir (demasiado) bem, sempre quis fazer 1000 coisas ao mesmo tempo e ir descansar era coisa para meninos. 

Não posso dizer que imaginava, ainda na gravidez, que teria uma filha calma (bastava o facto de haver 90% de hipótese de ser carneiro!). Mas nunca imaginei que houvesse um bebé assim, ao ponto de os pais o levarem aflitos a uma urgência, após 3 dias de choro non stop – em que nada se diagnosticou. Até à data, imaginava eu que, sendo a mãe que sempre desejei ser, iria conseguir tranquilizar a minha filha. Mas a Margarida fez questão de aniquilar aquele meu mestrado, que tanta segurança me havia dado no passado.

Com o passar dos meses fomos começando a conhecer a Margarida. As suas necessidades, gostos, preferências, vontades... e, consequentemente, conseguimos começar a identificar o que mais a incomodava, destabilizava ou irritava. 
O caminho foi longo, mas se houve outra coisa que a Margarida me ensinou desde cedo, foi a não comparar. A não nivelar a experiência pela experiência da amiga x ou y. A não considerá-la uma bebé “dificil”, só porque a bebé da x era tranquila e mal se ouvia a chorar. Afinal, a Margarida, noutras questões, como no que toca às horas que dormia seguidas ou ao quão bem comia, poderia ser considerada uma bebé “fácil”. 

A Margarida mantém muitos dos traços com que nasceu – e que agora nada são problemáticos para nós. Considero agora a Margarida uma criança “fácil”, dentro do desafio que qualquer criança (saudável) de 2 anos representa. O que mudou? Nós. A nossa abordagem, a nossa forma de (saber) lidar com ela. A base é sempre a mesma: o respeito e a paciência. E algumas ferramentas PRECIOSAS!

Quando me vi com as voltas ali um pouco trocadas, a afastar-me cada vez mais da mãe que desejava ser, senti necessidade de abordagens diferentes, reais, justas e que me fizessem ver, não como adulta, mas através dos olhos da minha filha.
Sabia que teria de respeitar sempre a Margarida, a pessoa que ela é – independentemente de ter 70cm ou 1,80m. Sabia que teria(mos) um papel crucial na orientação que levaria ao florescer da personalidade, dos gostos, da essência. Que nos cabia a nós direccionar da forma mais saudável e respeitosa – tendo sempre em mente que o objectivo nunca seria moldar a criança à imagem das nossas preferências pessoais, mas muni-la de ferramentas que a permitissem travar esse caminho de auto-descoberta, auto-controlo, auto-confiança, sempre com o nosso amparo e orientação. Mas faltavam-me as técnicas mais adequadas. 

Foi então que nos debruçamos sobre a disciplina positiva, a parentalidade consciente e o mindfulness. 

De que forma é que isso nos ajudou, ajuda e ajudará sempre? Eu explico no próximo post! :)

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sim, estamos de volta!

É verdade, foi uma ausência demasiado prolongada. Afastar-me este tempo do blog não foi uma decisão, foi apenas reflexo da fase que estávamos a viver. As semanas, meses, foram passando. Estar aqui assim-assim não era opção - ou vinha com tempo, ou não vinha de todo. Escrever assim-assim, divagar assim-assim, partilhar assim-assim não eram opções. Portanto, o blog ficou em stand by, numa altura em que todo o tempo foi pouco.

Enfim, desculpas, bem sei - é que agora que regresso, não tenho mais tempo livre (muito pelo contrário). Foram várias as vezes em que pensei em escrever ou cheguei mesmo a fazê-lo e a deixar em rascunho, mas acredito que também passei por uma fase de profunda desconexão com o resto das 'mãezinhas'. Deixei de querer falar sobre os temas que aqui falo por me sentir tão 'à parte', por ter vontade de criticar tudo e mais alguma coisa - e no fundo acabar por me tornar numa delas, defendendo aquilo em que acredito.
Entretanto, a lista mental de temas-que-merecem-mesmo-um-post foi crescendo substancialmente, mas, uma vez que entre a data da última publicação e a de hoje distam largos meses, este post servirá como uma espécie de update.

Ora, a Margarida. A Margarida conta agora uns deliciosos 21 meses (e meio). Mas vamos por partes:
  • Sempre muito adepta da sua independência, a Margarida ameaçou andar desde muito cedo. Cheia de força e equilíbrio, todos davam como certas as longas caminhadas lá pelos 12 meses. Eu pouco ligava a isso. Na verdade, não podia ser mais anti tabelas, cronologias, percentis e afins, que tentam encaixar à força os nossos filhos (e os seus timings) em padrões, como se fossem máquinas saídas da mesma fábrica, com as mesmas peças. A Margarida começou a andar de verdade, sem auxílio ou apoio, aos 13 meses. Sempre me disseram 'ui, quando ela andar é que vai ser! Não vais parar!' - claramente, quem dizia isto, pouco conhecia da Margarida, caso contrário saberia que, perto dela, estar parada nunca foi opção, desde muito cedo. Não senti nada disso quando ela começou a andar - senti apenas choque, durante várias semanas, sempre que a via afastar-se de mim e dizer 'xau' com a mão. E lá ia ela, sozinha, corredor fora, a fazer a curva, até deixar de a ver. A minha filha, a decidir ir para determinado lugar. E a ir. Sozinha. Foi giro e chocante. É passar um ano com um bebé 'atrelado' a nós e conhecê-lo de todos os ângulos possíveis, mas, a partir de um belo dia, podermos ver esse mesmo bebé à distância, a ir, a escolher, a seguir caminho. Literalmente. Agora, não só corre, como faz os silly walks mais engraçados de sempre - e sabe disso. E adora que nós adoremos. 
  • A Margarida sempre adorou comer. Sempre. Agora, adora ainda mais. Agora, que pode comer "tudo", é vê-la verdadeiramente deliciada - o raio da miúda come com prazer! Adora, acima de tudo, pão e iogurte, ou 'páu' e 'cuca', como lhes chama, respectivamente. Banana, uva, manga, sopa, brócolos, bolacha, tomate, massa, salmão e batata (sob todas as formas) são também fonte de grande alegria.
  • Depois de tantos meses com a rotina da creche implementada, chegou o mês de Agosto e uma Margarida de férias. Receei não estar à altura do ritmo a que ela estava habituada, que achasse uma 'seca' estar tanto tempo sem brincar com outros meninos, outros brinquedos, noutros espaços. A verdade é que, nesse aspecto, foi um mês bom. Tão bom! Todos os dias vi a Margarida feliz, a brincar, a dançar e a cantar. Tornou-se mais docinha, mais meiga. Aprendeu a comer sozinha com a colher/garfo e desenvolveu bastante a comunicação. Foi um mês e tanto! De regresso à creche, regressaram também as viroses semanais - mas deixemos isso para outra altura.
  • Nos últimos meses, afinou ainda mais os seus dotes de dançarina e começou também a cantar com alma, com direito a franzir de testa e a semicerrar de olhos. 'O Panda Manda', esse grande hit, é o preferido para dançar. Para cantar, 1000 vezes ao dia, é mais "brilha, brilha lá no céu, a estrelinha que nasceu (...)". 
  • E uma das coisas que mais feliz me deixa: a Margarida adora animais! A atenção manifestou-se muito cedo, com meia dúzia de meses, mas actualmente podemos falar de uma paixão a sério. Felizmente, todos os dias pode ser um bocadinho mais feliz, já que tem a possibilidade de contactar com a '"Lala" e o "Té", cadela e gato, respectivamente. A Margarida está a crescer no melhor desses dois mundos, ainda que continue a desconhecer que estamos a falar de duas espécies tão diferentes, que exigem abordagens diferentes - só não tenho pena do gato, porque ele gosta de se colocar a jeito!
  • O maior salto foi, sem dúvida, o da comunicação. São muitas as coisas que a Margarida já diz e todos os dias nos surpreendemos com a quantidade de coisas que ela sabe/reconhece/demonstra. É incrível assistir a este manifestar constante de vontades, preferências e gracinhas - ok, às vezes não tem assim tanta piada! É ver uma personalidade formar-se e revelar-se, finalmente. É ver muito de nós, também.
Nos últimos meses, as novidades são constantes, diárias. Seria impossível tentar sintetizar tudo num único post. Se disser que todos os dias tenho pelo menos um momento em que olho para a Margarida e sinto que está cada vez mais menina, menos bebé, é fácil de perceber o ponto em que nos encontramos. A Margarida já brinca como uma menina, já dá papa aos bonecos, coloca-os para dormir e ainda os embala. Como é possível?! Não sei, mas sei que é das cenas mais deliciosas de sempre :)

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sábado, 7 de março de 2015

Onze!

Imagem via Pinterest
Nos últimos dias apoderou-se de mim uma espécie de nostalgia antecipada, um estado de incredulidade, como se fosse irreal esta coisa de ter uma filha com quase um ano. 

A chegada aos 11 meses deve ser aquela a que os pais menos atenção dão, aquela que menos celebram, porque, afinal, a mente já só vê ali o primeiro aniversário ao virar da esquina. Mas vamos lá com calma! 

Eu sinto, e muito, este marco dos 11 meses. Estou a saboreá-lo. A evitar saltar mentalmente já para os 12. Esta é a última vez que a Margarida completa apenas meses. E claro que isso é um facto que pouco importa. Mas para mim, que sou mãe dela e a respiro todos os dias, é impossível não sentir esse peso. Um peso que nada tem de pesado, quando olho e vejo que aquele pequeno bebé foi dando lugar a uma menina que nos enche de alegria e orgulho. 

Ver um filho crescer faz-nos lidar com uma dualidade que parece parva. Ficamos eufóricos com cada pequena conquista, cada novidade, cada palavra nova ou gracinha. Trabalhamos todos os dias para esse crescimento, estimulamos e aplaudimos. Sentimos orgulho. Felicidade pura. Para depois, num ou outro momento, sentirmos que perdemos alguma coisa, as saudades daquele sonzinho ao mamar, daquela expressão aos quatro meses que tanto nos fazia rir, ou de tantas, tantas outras coisas. 
Todos os dias a Margarida perde pedaços do bebé que foi, mas as novas conquistas chegam em dose dupla, tripla, eu sei lá! Tem sido uma avalanche de novidades, especialmente no que toca à comunicação. E o que a Margarida nos dá agora e aquilo que nos faz sentir é infinitamente maior do que quando fazia aquele sonzinho ou aquela expressão. É tudo mais.

Chegou a fase que eu tanto desejava, a Margarida comunica cada vez mais. Diz cada vez mais palavras e o vocabulário que já reconhece está constantemente a surpreender-me. Acho que andei a subestimá-la durante algum tempo, até ao dia em que percebi que ela reconhecia os nomes de diversas coisas, que eu sempre fiz questão de dizer, para ela ir interiorizando. Mas não é que a miúda assimila mesmo muito facilmente? 

À parte de todas as coisas imensamente deliciosas que ela faz/diz, que nos deixam com vontade de abraçá-la e nunca mais largar, a Margarida começa a mostrar realmente a sua personalidade, confirmando muitas das coisas de que já desconfiávamos. A Margarida é, acima de tudo, divertida! Adora rir, ri com gosto e gosta de nos ver rir também. Vibra com comida e fica passada se ela demora muito a chegar, ou se acaba rápido. É muitíssimo curiosa, o que anda ali de mãos dadas com a constante observação que ela faz de tudo. E claro, continua a mesma eléctrica de sempre, mas agora com outros meios, outra força, outro equilíbrio, que a tornam num perigo ambulante - mas daqueles amorosos. 

E assim, de coração cheio, chegámos aos 11 meses.

P.s.: Depois de ter escrito este post, a Margarida deu os seus primeiros dois passinhos! Yay!

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quinta-feira, 5 de março de 2015

"NÃO!"

Imagem via Pinterest
Ontem, em conversa com uma amiga, também ela mãe, falávamos do quão chatas nos sentíamos por estar constantemente a dizer 'não!".

A Margarida sempre gostou de mexer em tudo, sempre quis desesperadamente isto e aquilo, para, ao fim de 10 segundos, desejar com todas as suas forças outra coisa qualquer. Não sei o que é ter um bebé calmo, que se entretém durante minutos a brincar sozinho. A Margarida já é bem capaz de se entreter sozinha, mas quer tudo o que não pode, ou não deve. E quer já. Explora rápido e parte para outra. Naturalmente, isto implica uma atenção constante e, pior, uma repetição de 'nãos!' que até a mim cansa e que me deixa com a sensação de que eu é que deveria levar com um tremendo 'NÃO!', porque, afinal, a criança está a crescer e tem de explorar.

É óbvio que não podemos deixar que os bebés/crianças façam determinadas coisas, acima de tudo, para sua própria segurança. Existem 'nãos' necessários e quase obrigatórios. Mas, ultimamente, dou por mim a questionar-me se não cairemos, por vezes, no exagero. Um exagero cómodo. 

Refiro-me ao 'não!' que me escapa de cada vez que estou a tentar escrever uma mensagem no telemóvel e a Margarida se lembra de sair de perto de mim, sabendo eu que ela vai para onde não deve - por ser potencialmente perigoso. Esta e outras situações que tais, em que o meu comodismo (que também pode ser carinhosamente lido como cansaço-por-já-ter-ido-agarrar-a-miúda-setenta-e-duas-vezes-antes-que-se-magoasse) me fez soltar um sonoro 'não!'. 

Chego à conclusão que nós, pais, acabamos por desenvolver dois tipos de 'nãos':
  • O 'não!' porque te podes magoar, porque vais cair, porque está sujo, porque simplesmente não podes mexer nisso, porque não é teu, porque vais arrancar as teclas e eu quero lá saber que faças birra. O 'não' preocupado e que educa. 
  • O 'não!' porque quero acabar de escrever esta mensagem mesmo importante (ou nem por isso) e tu não páras um segundo!, porque vais sujar a roupa toda e ainda hoje pus tudo para lavar, porque vais desarrumar a sala e eu estou demasiado cansada para arrumar, porque estou exausta e tu não queres dormir. O 'não' cansado, comodista, que escapa da boca dos pais sem grande justificação.
Nesta fase em que a Margarida me rouba cada vez mais 'nãos' (de ambos os tipos), tento estar atenta à frequência com que os digo e, sobretudo, à razão que tenho, ou não, para os dizer. 

Até para não voltar a cair no ridículo de repreender o gato com um automático 'NÃO! Não pode!!'.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Creche - Um bem necessário

Faz hoje precisamente cinco meses que o mundo da Margarida se abriu e estendeu largamente. Há cinco meses atrás, estava eu de coração apertado e a ter de fazer um esforço imenso para não me desfazer em lágrimas. Sem a Margarida por perto, tudo parecia errado. As dúvidas eram muitas. Acima de tudo, era uma angústia que me tomava por completo. 

Os dias, semanas, meses foram passando, e a confiança foi conquistada. A nossa, enquanto pais, e a dela. Naquele lugar vejo real paixão pelo que se faz, um carinho imenso pelos bebés, um cuidado que nos cativou desde logo. Profissionais que se complementam entre si, ora com umas pitadas de humor, ora com umas pepitas extra doces de miminhos. 

Pareceu-nos, desde o início, que a Margarida estava bem entregue. Mais que o tempo, que tem vindo a confirmar o que suspeitávamos, a Margarida é a nossa maior prova do que de bom se faz naquela sala dos bebés. A Margarida entra na creche a sorrir e sai de lá eléctrica, numa alegria esfuziante, a rir-se de tudo e de nada. E recebe sempre um beijinho (ou dois, ou três) de despedida, onde vejo amor. Sim, amor. Não vejo apenas carinho e cuidado. Ali há amor. Não só pela Margarida - há amor pelos bebés. De tal forma que agora a angústia passou a ser o facto de, dentro de meses, ela ter de abandonar a sala dos bebés e seguir rumo à fase seguinte. 

No início, encarava a creche como a maioria das pessoas - um mal necessário. Actualmente, vendo o bem que aquele lugar e o contacto com as profissionais e os outros bebés traz à vida da Margarida, é impossível não sentir que tomámos a melhor decisão. 

Cinco meses depois, a Margarida é ainda mais feliz, em casa ou na creche. 

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Dez!

Dez meses. Dez meses e três dias, para ser mais precisa.

Na véspera de os completar, ouvi, pela primeira vez, a Margarida chamar "mamã", enquanto choramingava, de braços esticados para mim.

Assim, sem que nos apercebessemos muito bem de como a coisa se deu, a Margarida deu um novo salto, desta vez, na linguagem. Literalmente de um dia para o outro, passou a pedir "papa" e a demonstrar que já entrou no esquema causa-efeito, que reconhece cada gesto que me vê repetir há meses -  e a sensação de que ela me viu/ouviu, realmente, durante estes meses todos, que absorveu e assimilou, é para lá de espectacular.  Agora, quando lhe digo que vou preparar a papa dela, já não sinto que estou a falar por falar. A Margarida percebe, arregala os olhos, repete alegremente "papa!" e faz o som de quem está a comer e a saborear. 

Nesta coisa da maternidade, evito ânsias, projecções e desejos de relógios apressados. Percebi que o tempo voa mesmo e que, dentro de nada, terei saudades desta fase. Tal como já sinto saudades das que passaram. Sei que a única coisa que anseio de verdade é ouvir a Margarida. Quero ouvir o que ela tem para dizer, o que pensa, como o estrutura, o que quer. Pensar que, um dia, a Margarida nos dará esse acesso ao que se passa naquela cabecinha parece-me de tal forma fascinante, que é impossível não vibrar com tudo o que começa agora a acontecer.

Ver a Margarida dizer "deita!" à pobre Lara (a cadela), com o dedo indicador esticado, é coisa para me fazer andar ali entre o rebolar no chão de tanto rir e o querer enchê-la de beijos até ela não aguentar mais e chorar.

Gradualmente, a Margarida está a deixar de comunicar à sua forma e a ajustar-se à nossa comunicação. A mostrar que percebe, que esteve sempre atenta (aqueles olhos nunca enganaram!), que sabe o que quer e que vai fazer questão de nos deixar sempre sem quaisquer dúvidas. 

Desde que nasceu, sinto como se a Margarida crescesse dentro do meu peito, tanto quanto cresce fora dele, no seu próprio corpo. E ela cresce, em mim, de forma galopante. Cresce, espalha-se, contamina tudo de amor. 

Com um coração tão redondo, era impossível não rebolar no chão de tanto rir!

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O problema não são vocês...

Imagem via Pinterest
É ela. A Margarida? Não. A angústia da separação! 

Até há uns dois ou três meses, a Margarida foi uma bebé super sociável, sorridente e de bem com o mundo e todos os seus integrantes. E agora? Agora é isso e muito mais, mas apenas com uma pequena parte do mundo - o dela. 

Mesmo antes de ser mãe, sabia da existência de uma fase assim, pela qual todos os bebés passam, de forma mais ou menos acentuada, mas passam! E passa. Portanto, quando a Margarida começou a 'estranhar' as pessoas menos próximas, isso não me trouxe qualquer tipo de angústia ou preocupação, antes pelo contrário! A chegada dessa fase significa que as emoções, os vínculos e a forma como a Margarida vê o mundo estão a mudar, de acordo com o que é saudável e importante para o seu desenvolvimento. 

O problema é que 'o resto do mundo' passa a ser um conceito altamente abrangente, que não inclui apenas pessoas desconhecidas. Inclui também pessoas próximas, que ficam tristes. Família. No fundo, este conceito passa a referir-se a todas as pessoas que não fazem parte do dia-a-dia da Margarida. De todos os dias. 

E agora, ter de explicar o beicinho e choro da Margarida, sempre que alguém tenta pegá-la ao colo (e especialmente se a levarem para onde o campo de visão não alcance o pai ou a mãe) passou a ser uma constante. Dou por mim a tentar justificar, a insistir que é normal, para não se preocuparem, que ela gosta na mesma das pessoas, que não, não deixou de ser bem disposta e sociável, que sim, passa! E, sobretudo, que ao forçarem a situação, estarão a contribuir para uma bebé ainda mais aflita e angustiada. 

O problema não são vocês. Mas o problema também não é a Margarida! Chama-se crescimento e eu garanto-vos que vai passar.

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sábado, 24 de janeiro de 2015

"Porquê?"

Imagem via Pinterest

Até aos sete meses, a Margarida nunca esteve doente. Ao completar dois meses, já dormia tranquilamente e sem interrupções 10, 11, 12 horas por noite (adormecê-la é que era mais complicado, mas isso é outra história), nunca a ouvimos tossir, nunca teve pingo no nariz ou febre. 

Aos sete meses chegou uma otite. Duas semanas depois, uma laringite. Ouvimos a Margarida tossir todos os dias e, sobretudo, todas as noites, há precisamente dois meses e meio. Já perdemos a conta à quantidade de medicamentos que tomou, às idas a urgências, às nebulizações, às noites demasiado longas. 

E quando parece que não pode piorar, não é que a coisa piora mesmo?!
Ao cenário anterior, adicionámos recentemente três novas aquisições: uma bronquiolite, uma gastroenterite e uma conjuntivite.

[É escusado dizer que um bebé nunca fica doente sozinho, não é? Estamos os três doentes, de forma quase ininterrupta, desde que foi oficialmente aberta a época das 'ites.]

Não foram poucas as noites em que olhámos um para o outro e questionámos "porquê mais isto?". É que, por muito que saibamos que febres e tosses são mecanismos importantes para o organismo dela, enquanto pais e não médicos da Margarida, vemos um bebé desesperado por dormir, sem estar sempre a acordar com ataques de tosse. Ou por comer, sem ter de vomitar tudo de seguida. 

Mas, quando tudo acalma e a tosse dá algumas tréguas, conseguimos ver que, sim, existe um propósito que vai muito para lá dos processos que aquele pequeno corpo tem de levar a cabo, para se tornar mais forte, menos vulnerável. 
Acredito que ter um filho doente eleva o exercício da paciência ao máximo. Esse e o do amor. Ter um filho requer uma total disponibilidade e doses gigantescas de paciência. Ter um filho doente requer isso ao quadrado . 

Esta experiência faz-nos sentir, muitas vezes, ali no limiar do desespero, do cansaço, da frustração. Mas é quando tudo acalma que se faz sentir o quanto crescemos, nos fortalecemos e tornamos menos vulneráveis, os três, por cuidarmos uns dos outros.

O corpo da Margarida está a ganhar defesas e imunidades. E nós também.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

9 na barriga, 9 no coração

Steve Hanks
Para mim, este dia 7 tem um sabor especial, diferente daquele que terá para qualquer outra pessoa que faça parte da vida da Margarida. Não é apenas mais um mês de vida.

A Margarida completa hoje 9 meses. 9 meses de vida extra-uterina, uma vida que tem sido fonte de alegria para todos aqueles que a amam e se deliciam com cada nova descoberta, conquista ou gracinha. 

Nove meses. O equivalente ao tempo que a tive só para mim, em mim. É impossível passar por este marco sem pensar nos nove meses de gestação e perceber que, agora, a Margarida está há mais tempo no mundo. 
Mas se, para o mundo, a Margarida chegou há 9 meses, para mim, a Margarida está em mim há exactamente 18 meses, se somarmos o literal e o figurado. 

À medida que vejo a Margarida crescer (e com ela o meu amor), mais sinto o privilégio que foi aquele pequeno ser ter-se formado em mim, através de mim, dos meus órgãos. Foram 9 meses de um coração a bombear para ela. Somam-se agora mais 9 de um coração que bate por ela. Ao todo, 18 meses de amor. Os primeiros. 

Aos 9 meses, a Margarida continua a ser uma menina-furacão, eléctrica que só ela, sedenta por novidades, brincadeiras e movimento. De uma alegria inesgotável. 
E, à medida que ela cresce, as palavras encolhem de forma proporcional. Tornam-se pequeninas perante o espectáculo a que assistimos dia após dia. Descrever a Margarida é uma tarefa quase impossível. Seria como tentar descrever o amor.

Hoje celebro (os primeiros) 18 meses da Margarida em mim. 9 na barriga, 9 no coração.


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domingo, 7 de dezembro de 2014

Oito


Uma otite. Muita febre. Um dente. Uma alergia a picada de insecto. Uma queda feia e a consequente marca na testa. Outro dente. Uma laringite. Muita tosse. Muita medicação. Noites incontáveis de sobressalto - podia ter sido este o balanço do último mês, um mês que pareceu longo demais. 

Mas não. Essa nunca poderá ser a memória que iremos guardar deste último mês. 

Basta olhar para a Margarida e ver o caminho que percorremos, sobretudo ela, nestes 8 meses. Os dias com ela, mesmo aqueles em que o coração fica apertado, são sempre mais felizes. E o amor, esse, já nem cabe em palavras. 

A Margarida é uma fonte inesgotável de alegria, mesmo quando a tosse a deixa exausta. E ela dança, canta e bate palminhas, mesmo cinco minutos após cair e bater fortemente com a cabeça no chão. 

Este mês foi longo, tão longo. Mas hoje, ao chegarmos aos oito meses, todos devemos bater palminhas, como a Margarida. Porque, afinal, chegámos aqui mais fortes e completos que nunca. 

'Ehhhhhhhh!!!'

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Aninhar, abrigar, aconchegar

Vicente Romero Redondo

Sobrevivemos àquela que foi, muito provavelmente, a pior semana destas últimas trinta e duas. E, nesta última semana, entre sonos trocados e agitados, a Margarida descobriu que gosta de dormir no aperto dos meus braços. E eu descobri que este furacão, tão sedento de mundo, tão repleto de energia, às vezes, também acalma. Aos sete meses, a Margarida parece começar a precisar que lhe mostre que sim, que também é bom acalmar, contemplar, desfrutar, deixar o mundo lá fora à espera e perdermo-nos em momentos mágicos. E eu descobri, nesta semana de tanto cansaço e preocupação, que, apesar de adorar ser mãe de uma bebé tão cheia de vida e de vontade de viver, sentia falta de a ver relaxar e sucumbir ao cansaço, nos meus braços. Rosto com rosto. Respirações fundidas. Batimentos sincronizados. Dois corpos na mesma temperatura. A mais pura intimidade. 

Esta semana serviu para me fazer sentir a urgência de saborear cada pedaço da Margarida. Ela está a crescer, cada dia mais curiosa, mais excitada pela quantidade de novidades. E teve de vir o raio de uma doença para a fazer abrandar, desinteressar-se, querer aninhar com a mãe. E a mãe, ainda a tentar perceber o que se estava a passar, abrigou-a de coração cheio, surpreendida. Uma e outra vez. Ambas percebemos que gostamos. Muito. Tanto. Por isso, hoje, assim que voltámos da creche, foi hora de aninhar e esquecer o mundo lá fora, que grita por ela. Garanto que amanhã será igual. E depois. Sempre que possível. Sempre que possível, irei tapar-lhe os ouvidos com abraços apertados, deixar o mundo em mute e fazer com que aqueles olhos curiosos pestanejem mais lentamente. Mas sempre ciente de que este meu pequeno furacão estará apenas a repor energias para um despertar electrizante, de sorriso rasgado e olhos brilhantes, como que a dizer "Mundo, estou de volta! O que tens para mim desta vez?".

Mais que uma otite, acreditamos que, pelo meio, se meteu, também, um salto de desenvolvimento. A Margarida está a passar, à maneira dela, por aquilo a que chamam 'angústia da separação'. Esta semana foi muito mais do que tratar daquele corpo pequenino, que não sossega. São as emoções e percepções que se alteram profundamente. E o resultado é um pequeno furacão que é, também, uma flor, com uma crescente necessidade de atenção. E de beijinhos nas mãos que se encostam aos meus lábios. E  de infindáveis sorrisos e abraços. E de cantigas e danças.
Agora, a Margarida não se limita a querer descobrir o mundo - ela quer que o façamos juntamente com ela. E há lá coisa que nós mais desejemos?!

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

7 meses no dia 7



Sete meses. Sete! Estou há horas a repetir este número, a tentar interiorizar. Não sei porquê, mas este 'sete' tem um peso diferente dos restantes números. Acho que deixei de ver a Margarida como um bebé pequenino. Não sei se pelo número, se pela quantidade de novidades das últimas semanas, ou por uma conjugação de ambos. 

A Margarida cresceu. Adora comer e come como gente grande. Bate palminhas. E bate, bate, bate, até na hora de adormecer! Diverte-se a chapinhar na água do banho e a apanhar os patinhos. Tem uma força física que nos surpreende (e assusta) todos os dias. É louca destemida. E ri-se. Ri-se sempre, todos os dias, a toda a hora! Mas a Margarida não se limita a rir. A Margarida ri-se com vontade, com expressões do mais profundo gozo e diversão. Na creche, é conhecida como 'o furacão', mas um do tipo bem disposto. Tem um dentinho a crescer de dia para dia. Já se move para onde quer, quando quer - nem que tenha de accionar o modo lagartixa. A Margarida acredita que algures está sempre a acontecer algo mais interessante e divertido - e tem de ir lá ver para ter a certeza, mesmo que não saiba propriamente onde fica 'algures'. É persistente - nem que fique ofegante, a Margarida só para quando consegue. Diz 'papá', para grande felicidade e orgulho do papá... e da mamã! Gosta de dormir (de lado) e dorme sempre a noite toda - igualmente para grande felicidade dos papás! 

Bem sei que a Margarida é, na verdade, mais um bebé igual a tantos outros, em tantos aspectos. Mas esta é a nossa Margarida. A única. Para nós, que há sete meses (sete!) temos o privilégio de viver com e para ela, a Margarida é o maior sorriso do mundo. O amor maior. E tem, agora, sete meses.

"Nunca sorrimos tanto assim, 
És a flor mais bela do nosso jardim,
Margarida...
O amor não tem fim."

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Uma margarida a florescer


Se há coisa que estes quase 7 meses de maternidade já me ensinaram é que, para sempre, irei viver dividida. Agora sei que ser mãe é viver numa constante montanha russa de emoções, numa viagem tão alucinante, que chega a ser difícil olhar para os lados e reparar na velocidade a que nos movemos. 

O primeiro ano de um bebé é sempre o das maiores novidades, mudanças e conquistas. Começamos com um ser minúsculo, quase em estado vegetativo, que, ao longo dos meses seguintes, dará lugar a um bebé que sorri (com dentes), que brinca, que se senta, que gatinha, com vocábulos que se assemelham a palavras e que tenta, ainda, ensaiar os primeiros passos. Haja metamorfose! 

No início, acredito que não se desfruta verdadeiramente. Queremos sobreviver, levar um dia após o outro. Depois começa a fase realmente boa, em que a coisa deixa de ser unilateral, em que o bebé começa a sorrir para nós, a fazer realmente parte do nosso mundo - e a parecer que até gosta de cá viver. Cada vez mais. 

Quando damos por nós, já embarcámos na tal viagem alucinante, com bilhete só de ida. Quando olhamos em volta, vamos num TGV rumo ao mês seguinte. E depois ao outro. Para qualquer outra pessoa, foi apenas mais um mês. Para o bebé, foi o mês em que conquistou mais uma mão cheia de habilidades essenciais para as etapas que se seguem. Sempre a somar, sempre a aprender, a explorar e a conquistar mundo. Nós, pais, estimulamos, aplaudimos, mas, sobretudo, assistimos da primeira fila, com os olhos a brilhar e o coração a transbordar. 

Já estava habituada a ver a Margarida somar pequenas conquistas, as normais, as expectáveis, mas não menos excitantes. Mas, este mês... caramba, este mês a miúda deu um pulo! São precisos muitos mais dedos para contar as novidades, as novas aquisições, as mudanças, as conquistas. A Margarida cresceu de forma alucinante, nas últimas semanas. E, este mês, por cada vez que me emocionei com a alegria de a ver crescer, logo de seguida, uma imensa nostalgia teimou em invadir-me. Sei que por cada nova habilidade, há um gesto, uma expressão, um som que presenciei pela última vez. Porque a Margarida está a crescer, tanto! 

Todas as noites, antes de me deitar, olho para ela e fico ali uns segundos a vê-la dormir, a tentar fotografar mentalmente aquele rosto tão perfeito, tão angelical. Quero guardar cada pedacinho da Margarida. Cada expressão, cada som, cada gesto, cada traço. Sei que não terei memória para tanto, que alguns pedacinhos se perderão pelo caminho e isso dá-me vontade de abraçá-la, para sempre. Mas ela tem coisas para fazer, para ver e viver. Tantas! Sempre mais. 

Sei que, para sempre, terei esta sensação agri-doce garantida. Sei que, para sempre, estaremos aqui os dois, a assistir, de coração a transbordar.

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