quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Creche, aquele tema delicado

Há precisamente uma semana, a Margarida passou a ser do mundo. Pelo menos, foi assim que eu senti. Senti, quase seis meses após o parto, o verdadeiro corte do cordão umbilical. Até então, a Margarida foi nossa, mas mais minha, no correr dos dias. 
Foram seis meses a viver em exclusivo para ela, fora os nove meses da gravidez, em que me sabia acompanhada por aquele ser, sempre com o peso da responsabilidade, sempre com o cuidado e o bem querer que crescia a cada dia. A mente acompanha as mudanças do corpo e, de alguma forma, as hormonas tornam-nos mais animais. 

Sabia que até os meus braços iriam sentir a falta daquele pequeno corpo. Que os beijinhos se iriam acumular até à hora de a ir buscar. Que os meus ouvidos a iriam ouvir no quarto vazio. Que o coração iria ficar apertado e as lágrimas demasiado pesadas para as conseguir conter. Tudo se confirmou. Na véspera, já todos os sintomas se tinham apresentado ao serviço - a coisa prometia...! 

No dia, no grande dia, acordei consciente de que o meu estado de espírito iria influenciar também o dela. Eu e o pai fizemos daquele início de manhã uma alegria, com cantigas, palhaçadas, vozes e entoações tolas. 
O sorriso da Margarida, ao entrar no edifício, fez-me acreditar tratar-se de um sinal de que tudo correria bem. O primeiro dia correu dentro do que se poderia esperar de um primeiro dia - aguentou-se minimamente bem, comeu minimamente bem, chorou e dormiu o mínimo. Eu ter sobrevivido ao primeiro dia, de forma decente e sem desidratar por completo, devo-o integralmente ao pai da Margarida, que não me deixou sozinha um minuto, até a irmos buscar. 

O segundo dia custou mais. Fui-me abaixo. Foi o peso do "vai ser assim todos os dias". Uma estranha sensação de que nada estava certo, porque eu não estava com ela. A partir do segundo dia, a Margarida passou a estar bem, a comer bem, a dormir mais. Assim tem sido esta semana. A Margarida faz o favor de me sossegar o coração, sempre que a levo e vou buscar - o sorriso é sempre o mesmo! 

Mentiria se dissesse que deixei de acreditar que, pelo menos até aos 12 meses, o lugar do bebé deverá ser junto dos pais ou outros familiares. Mas, em caso de impossibilidade, e sendo um mal necessário, acredito que acaba por se tornar benéfico. A Margarida será, certamente, um bebé diferente daquele que seria se ficasse comigo mais tempo, mas isso não significa que seria melhor, mais saudável, mais feliz.

Desde que a creche sirva apenas de complemento, uma espécie de ajuda aos pais, acredito realmente que será sempre uma mais-valia. O sorriso da Margarida diz-me isso. 

A saga do leite

Apesar de ter nascido com pouco mais de 3kgs, rapidamente a Margarida começou a ganhar peso, bastante, o que não era de admirar, tendo em conta a quantidade de leite que sempre gostou de beber. O leitinho era, na verdade, a grande alegria da vida da Margarida. Os biberões eram sugados até quase deixarem de ter ar no interior. Entraram as papas e sopas e a Margarida começou, desde logo, a tratá-las também por tu. 

Eis que, a dias dos 6 meses, a Margarida desinteressa-se pelo leite. "Como assim?? Será que não tem fome?", "será por estar frio?", "será por estar distraída?"... Todas as hipóteses foram descartadas, uma a uma. Nada de encontrar explicação. Mesmo de manhã, após 10 horas de sono, a cena repete-se e a Margarida nem meio biberão bebe. Ontem, a preocupação instalou-se a sério, quando na creche reportaram a mesma situação. 

Ora, come bem a sopa, a fruta, a papa... mas o leite, que sempre lhe pareceu pouco, agora é um suplicio. Recorri à melhor amiga da mãe a.k.a. internet e fez-se luz - a Margarida enjoou do leite! Se não enjoou o sabor, no mínimo, passou a achá-lo desinteressante, comparando com as amigas papas e sopas. 

O próximo passo será experimentar adicionar uma colher de papa não láctea ao leite, para alterar ligeiramente o sabor. Vamos lá ver no que dá e se a teoria se confirma. Como plano B, existe a possibilidade de mudar de marca de leite (o que naturalmente me inspira alguma preocupação). 

Em pesquisas, percebi que há imensos bebés que, simplesmente, deixam de beber leite simples. O pequeno-almoço, por exemplo, passa a ser papa ou um iogurte. Oxalá o plano A resulte e a faça relembrar os bons velhos tempos, em que um biberão era fonte de pura felicidade! 

Actualizações sobre a saga do leite, em breve!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

6 meses

E, assim de repente, chegamos aos 6 meses! Dei por mim a pensar que foram os 6 meses mais felizes da minha vida, mas só porque estamos em outubro, volvidos os primeiros meses, os dos maiores desafios.

O início não é feliz, não o foi para mim. Podemos sentir felicidade pelo que estamos a viver, com a perspectiva de um futuro próximo, mas acredito que os momentos em que conseguimos desfrutar de um filho recém nascido, são, em grande parte, aqueles em que o fazemos com uma nostalgia antecipada, que nos diz que todo aquele cenário se alterará, a cada dia, semana. É um encantamento instantâneo, mas tão novo e desconhecido, que impossibilita o respirar fundo que a felicidade nos traz.

Fui feliz com a Margarida, enquanto recém nascida, na ânsia do que viria. Agora, a ânsia já não existe. Deixei de ansiar que cresça, porque já é tão bom. Tão bom. Nos dias mais complicados, imaginava como seria fantástico começar a descobri-la. Queria muito saber quem é Margarida, se teria despertares difíceis e demorados como o pai, se gostaria mais de sopa ou papa, se seria sociável, como soaria a gargalhada, se seria calma, se o sorriso seria fácil.

Passaram apenas 6 meses e eu já consigo ver tanto desta pessoa pequenina. E o que vejo é tão forte e intenso, que facilmente a consigo imaginar com 2, 5, 15 anos! Posso estar redondamente enganada, pode o tempo e a vida fazerem-na tornar-se numa Margarida diferente daquela que vemos, mas eu acredito, cada dia mais, que sei bem quem é esta nossa flor de sorriso fácil e energia inesgotável.

Não foram os 6 meses mais felizes da minha vida. Foram os 6 meses mais completos, mais intensos, verdadeiros e mágicos que já vivi. Apenas os primeiros 6 meses de uma vida tão mais iluminada, de sorrisos puros, de uma alegria sem fim.


Nasceu!

A Margarida nasceu. Seis meses depois, nasce este blog. Um blog meu, dela, dos nossos dias, dos desafios, das conquistas e descobertas, mas, sobretudo, um blog feliz, tão feliz quanto o sorriso da Margarida, que é só o maior sorriso do mundo.
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