quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ser mãe e ser... tudo o resto

Imagem via Pinterest 
Quem me conhece ou já leu uma ou outra divagação minha a respeito do antes e depois dos filhos, fica com a ideia que, para mim, há coisas que não têm forçosamente de mudar. E estão certos. 

As coisas que temos de alterar e ajustar, para nos tornarmos (bons) pais de alguém, são óbvias. Nem vale a pena dissertar muito mais sobre isso. Mas, nove meses após me ter estreado nestas andanças, continuo a acreditar no que acreditava antes - ser mãe não tem de me anular em nenhum outro papel que eu desempenhe. Pelo contrário. Só me adiciona. 
Ser mãe da Margarida transforma-me, afina-me, ensina-me todos os dias. De tal forma que só posso acreditar que isso fará de mim uma melhor pessoa. Pelo menos, uma mais focada no que e em quem realmente importa. 

Tirando as rotinas que naturalmente tivemos de adoptar e que diariamente cumprimos, acreditei sempre que, com organização, tudo se conseguiria fazer. Acreditei que, apesar de ser mãe da Margarida e de ela ocupar grande parte do meu dia (e pensamento), conseguiria fazer outras coisas. Coisas que tenho de fazer, coisas que deixei em suspenso e coisas que desejo mesmo fazer. 

Até ao dia em que decidi começar a dedicar-me a um novo projecto e, pouco depois, a Margarida adoeceu. E com um bebé doente, onde entra a organização? Não entra. De todo. Com um bebé doente em casa, o resto deixa de existir. Seja pela falta de disposição ou pelo cansaço. O estado de espírito oscila entre a preocupação e a frustração por ter de deixar isto e aquilo em suspenso. Precisamente no momento em que a cabeça andava a fervilhar com ideias!

Assim passámos os últimos dois meses. Ou temos vindo a passar, para ser mais concreta. Esta cadeia de acontecimentos menos agradáveis tem sido uma lição. Se há coisas que não têm de mudar com a maternidade, há outras que mudam inevitavelmente. Posso não me anular, mas passo, rapidamente, para segundo ou terceiro plano. E os meus planos passam para último. 

Estou desejosa de poder voltar à rotina normal, com disponibilidade (a todos os níveis) para me entregar ao que deixei em suspenso. Ao que tanto me apaixona.

É que se eu sou melhor por ser mãe da Margarida, também acredito que sou melhor mãe da Margarida se puder ser tudo o resto.

Mas o que nunca poderá ficar em suspenso é o meu papel de mãe.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

9 na barriga, 9 no coração

Steve Hanks
Para mim, este dia 7 tem um sabor especial, diferente daquele que terá para qualquer outra pessoa que faça parte da vida da Margarida. Não é apenas mais um mês de vida.

A Margarida completa hoje 9 meses. 9 meses de vida extra-uterina, uma vida que tem sido fonte de alegria para todos aqueles que a amam e se deliciam com cada nova descoberta, conquista ou gracinha. 

Nove meses. O equivalente ao tempo que a tive só para mim, em mim. É impossível passar por este marco sem pensar nos nove meses de gestação e perceber que, agora, a Margarida está há mais tempo no mundo. 
Mas se, para o mundo, a Margarida chegou há 9 meses, para mim, a Margarida está em mim há exactamente 18 meses, se somarmos o literal e o figurado. 

À medida que vejo a Margarida crescer (e com ela o meu amor), mais sinto o privilégio que foi aquele pequeno ser ter-se formado em mim, através de mim, dos meus órgãos. Foram 9 meses de um coração a bombear para ela. Somam-se agora mais 9 de um coração que bate por ela. Ao todo, 18 meses de amor. Os primeiros. 

Aos 9 meses, a Margarida continua a ser uma menina-furacão, eléctrica que só ela, sedenta por novidades, brincadeiras e movimento. De uma alegria inesgotável. 
E, à medida que ela cresce, as palavras encolhem de forma proporcional. Tornam-se pequeninas perante o espectáculo a que assistimos dia após dia. Descrever a Margarida é uma tarefa quase impossível. Seria como tentar descrever o amor.

Hoje celebro (os primeiros) 18 meses da Margarida em mim. 9 na barriga, 9 no coração.


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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sê muito bem-vindo, 2015!


Não vou dizer que 2014 foi o melhor ano de sempre. 2014 foi o ano mais importante. Um ano de profundas mudanças, de crescimento, desafios, aprendizagens e incontáveis alegrias. Foi o ano da Margarida. Um ano de amor. 
Os três primeiros meses foram ainda vividos à espera dela - sendo que o último mês equivaleu quase a um ano, tal era a forma como o relógio parecia ter abrandado, numa espera ali a roçar o desesperante. Os restantes 9 meses foram vividos com e para ela. A três. E, de entre tantas coisas que aconteceram, sinto que apenas ela me aconteceu, verdadeiramente, em 2014. Vivi para ela, quase em regime de exclusividade. 
Em 2014 tornei-me mãe e sinto que o resto da minha vida se irá dividir numa espécie de A.2014 e D.2014. 
O ano de 2014 ficará para sempre cravado em nós, como parte integrante da nossa história. Um ano bom, tão bom! 
Chegamos a 2015 com a certeza de que faríamos tudo de novo, conhecendo o que é a mais pura felicidade. O amor maior foi-nos apresentado em 2014.

Entrar em 2015 assim, de coração cheio, é a maior garantia de que o futuro será, independentemente de tudo o resto, repleto de amor.

Obrigada, 2014!

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Mãe Vs. Pai

Imagem via Pinterest
Ainda na gravidez, era claro para ambos que, dentro do possível, não existiriam diferenças entre o pai e a mãe, que dividiríamos sempre os momentos bons, mas também os mais difíceis. Aqui não existia uma mãe a querer ser mais que o pai, nem um pai a querer escapar às fraldas, banhos e noites de cólicas. Tudo seria dividido de igual forma.

Quando a Margarida nasceu, começou a desigualdade. Após uma madrugada e manhã em trabalho de parto, a Margarida nasceu às 13h50. Seguiram-se aqueles primeiros momentos de enamoramento, a passagem para o quarto e as consequentes visitas (apenas da família mais próxima). Duas horas depois, era altura de todos irem embora. Exausta por tudo o que tinha vivido nas últimas horas, ainda com o corpo a tremer por tanto esforço e a gritar por descanso, ali me vi com aquele ser, acabado de nascer. Sozinha. Nessa noite, enquanto trocava mensagens com o pai da Margarida, a certa altura deixei de receber resposta. Percebi que ele tinha adormecido - afinal, esteve de mão dada comigo durante toda aquela aventura.

Dei por mim a pensar no sentido daquilo que estava a acontecer. Então, um casal decide dividir tudo o que diz respeito ao bebé e, depois de horas de contrações, a mãe, que sentiu que ia explodir de tanta força, que passou por um parto, que ainda não se podia pôr de pé, fica sozinha com o bebé, a ter de o amamentar (de hora a hora, de 30 em 30 minutos, a cada 10 minutos - o que o bebé quiser)?! Sim, é isso. Essa primeira noite a sós com a Margarida fez-me perceber que nada seria como eu imaginava. Mais que isso, as coisas, simplesmente, não podem ser como desejamos, mesmo quando o pai quer realmente fazer tanto quanto nós, mães.

Os tempos que se seguiram foram um lembrete constante de que mãe é mãe e pai é pai. Tendo o pai de trabalhar, é natural que seja a mãe a passar todas as horas do dia com o bebé - e a aproveitar para tomar um banho e repor a dignidade, quando o pai assume o controlo. Mas sem esquecer que todos os pequenos intervalos surgem com uma espécie de bomba relógio associada - existe um tic tac latejante até ao próximo berreiro do bebé, que precisa de ser alimentado - coisa que só a mãe (em princípio) poderá fazer. 
No início, essa pressão é quase esmagadora. A mãe sente que aquele ser precisa de si para sobreviver, porque essa é, de facto, a realidade. Essa responsabilidade tem tanto de belo quanto de assustador. O pai assiste, como quem diz, presta assistência, colmata os espaços, permite os intervalos da mãe. 

Tive momentos, os mais difíceis (que não significam os mais difíceis da Margarida), em que achei profundamente injusto. Momentos em que desejei que fosse diferente. Mas depois lá vinha um ou outro momento em que o pai era simplesmente o melhor pai do mundo, o melhor companheiro que eu poderia pedir. E eu entendia e aceitava, mais uma vez, que mãe é mãe e pai é pai. Nisto da parentalidade, um não substitui o outro, são papéis complementares, que se desempenham infinitamente melhor quando conjugados.

Com o passar do tempo, mais resignada com o facto de grande parte das tarefas me competirem a mim (muito por força das circunstâncias), comecei a encarar isto da desigualdade diferença de papéis como uma combinação de forças. O tempo e a experiência no terreno fizeram-me ter a capacidade de olhar para o que se passa na nossa dinâmica e entender que existem coisas em que eu sou muito melhor que o pai. Outras, igualmente importantes, em que o pai bate a mãe.

No início, parece que o bebé é mais da mãe do que do pai, por muito que ninguém faça por isso. É assim, é a natureza, é a ordem das coisas. Mas, aos bocadinhos, o pai vai descobrindo o seu papel, vai-se descobrindo enquanto pai, vai criando elos com o bebé, brincadeiras, cumplicidades. Até ao dia em que o vemos de lágrimas nos olhos a dizer "caramba, gosto tanto dela...! Faria tudo por ela!".

Por estes dias, o pai da Margarida tem desempenhado algumas das "minhas tarefas". Esta noite, ele foi o pai, mas foi também a mãe, perante uma bebé cheia de tosse e uma mãe totalmente K.O.. 
Acordei a pensar que existe, sim, um antídoto para a desigualdade (até para a que a sociedade tenta impor). É aquele que faz o coração bater mais forte, aquele que eu sinto sempre que vejo o pai da Margarida a ser o melhor pai e o melhor companheiro do mundo. 

No amor, mãe e pai são iguais. [Ou assim deveria ser.]


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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

15 de Dezembro

Hoje é, para nós, o dia mais bonito e importante de todos. Sem este 15 de Dezembro, não existiria uma série de outros dias. Os mais felizes das nossas vidas. Da nossa vida.

Neste 15 de Dezembro celebramos um outro 15 de Dezembro. Celebramos o dia em que o [nosso] mundo mudou. No último 15 de Dezembro éramos dois a celebrar este amor, a felicidade que esse dia nos trouxe. Este ano temos, em forma de pessoa pequenina, o amor. O nosso. O maior. 

Este ano, o nosso dia começou com uma madrugada de nebulizações e sonos curtos e agitados. O dia começou cansado. É o primeiro 15 de Dezembro em trio. Hoje acordámos mais cansados, mas infinitamente mais completos do que há um ano atrás. É este o caminho.

No início da gravidez, a ideia que mais feliz me deixava era o facto daquele ser resultar do maior amor que alguma vez senti ou conheci. Isso fez-me acreditar que ele ou ela seria, definitivamente, especial. Todos os filhos deveriam ser feitos de tanto amor!

Nós já éramos felizes, mesmo sem a Margarida. Mas, desde o dia 7 de Abril, a Margarida lembra-nos aquele 15 de Dezembro todos os dias. Afinal, o 15 de Dezembro é ela, em forma de pessoa pequenina. 

Parabéns a nós! ♡

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domingo, 7 de dezembro de 2014

Oito


Uma otite. Muita febre. Um dente. Uma alergia a picada de insecto. Uma queda feia e a consequente marca na testa. Outro dente. Uma laringite. Muita tosse. Muita medicação. Noites incontáveis de sobressalto - podia ter sido este o balanço do último mês, um mês que pareceu longo demais. 

Mas não. Essa nunca poderá ser a memória que iremos guardar deste último mês. 

Basta olhar para a Margarida e ver o caminho que percorremos, sobretudo ela, nestes 8 meses. Os dias com ela, mesmo aqueles em que o coração fica apertado, são sempre mais felizes. E o amor, esse, já nem cabe em palavras. 

A Margarida é uma fonte inesgotável de alegria, mesmo quando a tosse a deixa exausta. E ela dança, canta e bate palminhas, mesmo cinco minutos após cair e bater fortemente com a cabeça no chão. 

Este mês foi longo, tão longo. Mas hoje, ao chegarmos aos oito meses, todos devemos bater palminhas, como a Margarida. Porque, afinal, chegámos aqui mais fortes e completos que nunca. 

'Ehhhhhhhh!!!'

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A culpa das mães

Katie M. Berggren

A Margarida caiu. Caiu pela primeira vez e a testa dela lembra-me disso a todo o instante. Bem sei que faz parte, que era apenas uma questão de tempo, que, tendo em conta a bebé eléctrica que é, até tardou. 

A testa da Margarida lembra-me que está oficialmente aberta a época das quedas, dos dói-dóis, do meu coração a parecer que pára de bater por alguns instantes. Uma época vitalícia, bem sei. E sei, também, que vai custar ainda mais quando os dói-dóis não forem apenas do tipo que fica estampado na testa.

Mas a Margarida caiu e, por estes dias, a testa dela faz-me sentir culpada, mesmo que saiba que fiz tudo, que faço sempre tudo, que tento antever qualquer perigo, que tento, sempre, amparar-lhe as quedas. Sei e, mesmo assim, o facto de se tratar de um ser totalmente dependente de mim, de nós, faz-me sentir que falhei. 

Começo a perceber que a culpa, mesmo que irracional e quase infundada, faz parte deste papel. Seja pelo que fazemos ou pelo que deixámos de fazer. Culpa porque se vai buscar a criança mais tarde à creche. Culpa porque estamos quase a perder a paciência, quando parece que eles lutam contra o sono. Culpa por trabalhar. Culpa por não trabalhar. Culpa por isto e por aquilo. Culpa quando não a temos. 

As mães, aquelas que fazem tudo de coração pelos filhos, não deviam sentir culpa. Mas sentimos tanto o peso de sermos responsáveis pela vida e bem-estar de alguém, que qualquer variável que fuja ao nosso controlo vai, inevitavelmente, fazer-nos questionar as decisões tomadas.

As mães não têm culpa. Nem os pais. Os filhos têm de cair. Têm de viver e aprender. A vida nunca foi almofadada para ninguém. 

[Vou ler isto até interiorizar.]

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