sexta-feira, 7 de novembro de 2014

7 meses no dia 7



Sete meses. Sete! Estou há horas a repetir este número, a tentar interiorizar. Não sei porquê, mas este 'sete' tem um peso diferente dos restantes números. Acho que deixei de ver a Margarida como um bebé pequenino. Não sei se pelo número, se pela quantidade de novidades das últimas semanas, ou por uma conjugação de ambos. 

A Margarida cresceu. Adora comer e come como gente grande. Bate palminhas. E bate, bate, bate, até na hora de adormecer! Diverte-se a chapinhar na água do banho e a apanhar os patinhos. Tem uma força física que nos surpreende (e assusta) todos os dias. É louca destemida. E ri-se. Ri-se sempre, todos os dias, a toda a hora! Mas a Margarida não se limita a rir. A Margarida ri-se com vontade, com expressões do mais profundo gozo e diversão. Na creche, é conhecida como 'o furacão', mas um do tipo bem disposto. Tem um dentinho a crescer de dia para dia. Já se move para onde quer, quando quer - nem que tenha de accionar o modo lagartixa. A Margarida acredita que algures está sempre a acontecer algo mais interessante e divertido - e tem de ir lá ver para ter a certeza, mesmo que não saiba propriamente onde fica 'algures'. É persistente - nem que fique ofegante, a Margarida só para quando consegue. Diz 'papá', para grande felicidade e orgulho do papá... e da mamã! Gosta de dormir (de lado) e dorme sempre a noite toda - igualmente para grande felicidade dos papás! 

Bem sei que a Margarida é, na verdade, mais um bebé igual a tantos outros, em tantos aspectos. Mas esta é a nossa Margarida. A única. Para nós, que há sete meses (sete!) temos o privilégio de viver com e para ela, a Margarida é o maior sorriso do mundo. O amor maior. E tem, agora, sete meses.

"Nunca sorrimos tanto assim, 
És a flor mais bela do nosso jardim,
Margarida...
O amor não tem fim."

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Coisas que eu gostava que me tivessem dito

Imagem via Pinterest
Se há altura da vida em que uma mulher vai ouvir coisas completamente desnecessárias e infelizes, é durante a gravidez. No meu caso, os comentários que mais me incomodavam vinham sempre em jeito de vaticínio, uma espécie de sina à qual não poderia escapar. A julgar pelo que fui ouvindo, não era sequer suposto ter sobrevivido além do terceiro mês. Pelo menos, de forma sã e minimamente apresentável. 
Esses comentários, com um leve toque de sadismo, além de não acrescentarem nada, ainda me irritavam mais. Especialmente quando vindos de outras mães, que, do alto da sua imensa e intensa experiência, sentiam aquele gozo efervescente, ao lançarem o pânico junto de grávidas, que é como quem diz, poços de sensibilidade ambulantes. 

Felizmente, sempre fui bastante impermeável a opiniões e vaticínios alheios. Mas, azar dos azares, na gravidez, essas coisas - e todas as outras - afectam! Não basta o nosso corpo estar a fabricar um pequeno ser humano, os desconfortos crescentes, a ideia de passar por um parto, o total desconhecido e as imensas dúvidas ao estilo 'serei capaz?', ainda temos de levar com a história do bebé que nasceu sem braços, da mulher que nunca perdeu aqueles 20kgs, ou do bebé que com um ano ainda não dormia uma noite seguida, o que fez com que os pais se divorciassem.

Em conversa com uma amiga que está grávida, reparei que agora sou eu a ter de ter cuidado com o que digo. Não sinto que deva pintar de cor-de-rosa uma realidade que tem, também, muitos cinzentos, mas acredito que devo dizer apenas aquilo que poderá, efectivamente, acrescentar algo, ajudar ou elucidar. 
Dei por mim a questionar-me sobre o que gostaria que me tivessem dito, ao invés daquelas tretas sádicas, que as mulheres dizem umas às outras. Eis o meu top 3:

Amiga, compra já umas ampolas e um bom champô anti-queda!
Ok, este comentário também surge ao estilo vaticínio, mas de uma forma construtiva. Informativa! Durante a gravidez, fui lendo aqui e ali sobre as mudanças que a gestação trazia ao cabelo, que nuns casos se tornava mais fraco, noutros mais forte e brilhante. Cheguei ao fim da gravidez igualmente satisfeita com o meu, portanto, achei que tinha escapado ilesa. Passou-se um mês, dois, perfeito! Ao terceiro mês de pós-parto, a coisa ficou crítica. Cada vez mais cabelos na escova, cada vez menos na minha cabeça. Quando comecei a comentar com x e y, as pessoas confirmavam, lá por volta do terceiro mês após o parto, o cabelo cai. A rodos. E eu juro que ainda hoje não entendo como é que ninguém se lembrou de me avisar. 

O pós-parto é lixado! Vais-te sentir mal, vais duvidar de tudo, mas é normal e vai passar!
Claro que eu sabia que o pós-parto não deveria ser nada fácil. Claro que imaginava que seria delicado, sendo que essa fase envolveria um recém-nascido e uma recuperação física. Mas ninguém me avisou que, emocional e psicologicamente, poderia ser pior que a gravidez. E, no meu caso, foi. Aliás, o pós-parto foi pior que a gravidez e o parto juntos. Levamos 9 meses a prepararmo-nos para ambos, sem haver qualquer referência ao que vem depois, à excepção dos cuidados a ter com o bebé. E os cuidados com a mãe? Neste ponto, "culpo" também os profissionais de saúde, que deveriam abordar a questão, tanto junto da grávida, quanto do companheiro (que também tende a ser apanhado de surpresa). É importante dizer que acontece, que é normal sentirmo-nos tristes (mesmo que o mundo, e nós próprias, não o entendamos), que pode acontecer. É importante saber disso. As hormonas são lixadas, sim. O baby blues existe, sim. E passa, SIM! Valha-nos o facto da queda de cabelo vir só lá mais para a frente!

Não habitues o bebé a adormecer com embalo!
No nosso caso, seria mais "não vás à bola!". Quando a Margarida tinha cerca de dois meses, o pai descobriu que dar pulinhos com a miúda ao colo, na bola de pilates, não só a acalmava, como adormecia. Ui, maravilha! Seguiram-se dois meses de adormecimentos aos pulos. E o que, no início, nos pareceu a descoberta das nossas vidas (e uns trocos a menos gastos em ginásio), transformou-se num pesadelo que nos fazia pular incessantemente, até a Margarida finalmente fechar os olhos, o que, numa das vezes, levou 1h30m a acontecer. Uma hora e meia a saltar numa bola. Não havia outra forma de a adormecer. Depois de muito desespero, pesquisa, leitura e conversa com outras mães, percebi o (grande) erro. Futuras mães e pais, anotem: não devemos embalar os nossos bebés, seja no colo, no carrinho... na bola de pilates! Devemos ensinar o bebé a desenvolver a capacidade de se auto-acalmar, mas de uma forma que ele próprio consiga reproduzir mais tarde. E, convenhamos, nunca nenhum bebé irá adormecer sozinho, aos pulos ou a dar palmadinhas no rabo. 

Claro que, nisto dos bebés, convém sempre ressalvar que cada caso é um caso. Todos os bebés são diferentes, tal como as gravidezes, partos, pós-partos e dinâmicas familiares. Falo apenas da minha experiência. Teria sido muitíssimo útil que alguém me tivesse dito uma série de coisas, que vim a descobrir por mim mesma, algumas delas errando. Nisto da maternidade, como em muitas outras coisas, as mulheres conseguem ser as piores inimigas umas das outras, mesmo que sem intenção. E seria tudo tão mais fácil se nos deixássemos de clichés idiotas e partilhássemos coisas realmente úteis e construtivas, não acham?

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ideias Giras | Milestone Baby Cards


Há ideias tão, mas tão giras, que merecem mesmo ser partilhadas! 
Registar para a posteridade o primeiro ano de vida do bebé, em semanas, meses e ocasiões especiais, através de fotografias com cartões ao estilo legenda, é a proposta dos Milestone Baby Cards. 

"Hoje faço duas semanas", "Hoje dormi a noite toda pela primeira vez", "Hoje cresceu o meu primeiro dente", "Hoje andei pela primeira vez", são alguns dos "hojes" mais importantes do primeiro ano de vida do bebé, que os Milestone Cards ajudam a documentar de forma ainda mais bonita. 

Naturalmente, a ideia partiu da cabeça de uma mãe (holandesa), que quis eternizar os momentos mais marcantes da vida do filho. O resultado está agora traduzido em português, em 30 cartões ilustrados, com espaço para escrever a data. 

E a pena que eu tenho de não ter descoberto isto antes do nascimento da Margarida?! 

Fica a dica para as grávidas e recém-mamãs, ou para quem, simplesmente, quiser oferecer um presente de nascimento para lá de giro!

Podem encontrar os cartões na Origami Kids - Loja Online. 

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Uma margarida a florescer


Se há coisa que estes quase 7 meses de maternidade já me ensinaram é que, para sempre, irei viver dividida. Agora sei que ser mãe é viver numa constante montanha russa de emoções, numa viagem tão alucinante, que chega a ser difícil olhar para os lados e reparar na velocidade a que nos movemos. 

O primeiro ano de um bebé é sempre o das maiores novidades, mudanças e conquistas. Começamos com um ser minúsculo, quase em estado vegetativo, que, ao longo dos meses seguintes, dará lugar a um bebé que sorri (com dentes), que brinca, que se senta, que gatinha, com vocábulos que se assemelham a palavras e que tenta, ainda, ensaiar os primeiros passos. Haja metamorfose! 

No início, acredito que não se desfruta verdadeiramente. Queremos sobreviver, levar um dia após o outro. Depois começa a fase realmente boa, em que a coisa deixa de ser unilateral, em que o bebé começa a sorrir para nós, a fazer realmente parte do nosso mundo - e a parecer que até gosta de cá viver. Cada vez mais. 

Quando damos por nós, já embarcámos na tal viagem alucinante, com bilhete só de ida. Quando olhamos em volta, vamos num TGV rumo ao mês seguinte. E depois ao outro. Para qualquer outra pessoa, foi apenas mais um mês. Para o bebé, foi o mês em que conquistou mais uma mão cheia de habilidades essenciais para as etapas que se seguem. Sempre a somar, sempre a aprender, a explorar e a conquistar mundo. Nós, pais, estimulamos, aplaudimos, mas, sobretudo, assistimos da primeira fila, com os olhos a brilhar e o coração a transbordar. 

Já estava habituada a ver a Margarida somar pequenas conquistas, as normais, as expectáveis, mas não menos excitantes. Mas, este mês... caramba, este mês a miúda deu um pulo! São precisos muitos mais dedos para contar as novidades, as novas aquisições, as mudanças, as conquistas. A Margarida cresceu de forma alucinante, nas últimas semanas. E, este mês, por cada vez que me emocionei com a alegria de a ver crescer, logo de seguida, uma imensa nostalgia teimou em invadir-me. Sei que por cada nova habilidade, há um gesto, uma expressão, um som que presenciei pela última vez. Porque a Margarida está a crescer, tanto! 

Todas as noites, antes de me deitar, olho para ela e fico ali uns segundos a vê-la dormir, a tentar fotografar mentalmente aquele rosto tão perfeito, tão angelical. Quero guardar cada pedacinho da Margarida. Cada expressão, cada som, cada gesto, cada traço. Sei que não terei memória para tanto, que alguns pedacinhos se perderão pelo caminho e isso dá-me vontade de abraçá-la, para sempre. Mas ela tem coisas para fazer, para ver e viver. Tantas! Sempre mais. 

Sei que, para sempre, terei esta sensação agri-doce garantida. Sei que, para sempre, estaremos aqui os dois, a assistir, de coração a transbordar.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Olhó pai a falar para ti! #1


Antes da Margarida nascer, quando comecei a interiorizar o novo papel que, brevemente, iria desempenhar, nunca pensei que o que mais iria precisar, para um bom desempenho, seria PACIÊNCIA!

De facto, para além das constantes mudanças de fraldas, biberões, banhos, sonos de pequenos ciclos e constantes verificações de movimentos cardio-respiratórios, o exercício de maior exigência foi e é o da paciência.

A paciência foi altamente requisitada nos momentos de pré-sono e de adormecimentos propriamente ditos... Adormecimentos de longa duração e adormecimentos sem perspectivas de serem consumados, depois de um enorme investimento, quer de tempo, quer de pseudo-técnicas de condução aos braços de Morfeu.

Não foi preciso muito tempo para perceber que isto da paternidade exigiria, sobretudo, uma entrega sem pressas, sem relógio, sem desespero. E com isso percebi, surpreendentemente, que, afinal, tinha isso em mim, guardado para a Margarida, à espera que ela o viesse despertar.

A boa notícia é que, contra todas as adversidades, o amor faz com que essa paciência - condição sine qua non nisto de ser pai -, se multiplique. 

Se a minha paciência, antes de ser pai, já rareava em inúmeras situações, então, agora, é que ela é totalmente canalizada para seres prioritários, e com certeza que a Margarida é um deles.

O Pai da Margarida


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sábado, 1 de novembro de 2014

"É uma menina!"


Eram as palavras que, há precisamente um ano atrás, desejávamos ouvir. Desde que me soube a gerar um filho, nunca tive qualquer pudor em afirmar que sim, tinha preferência. Que não, não tinha rigorosamente nada a ver com querer encher as nossas vidas de vestidinhos cor-de-rosa e totós de todas as cores. Era tão mais que isso. Era a Margarida que eu desejava. Ela sempre teve nome. Se fosse menina, seria "a" Margarida. 

Há um ano atrás, foram precisamente essas as palavras que ouvimos. E nada há-de apagar da memória aquelas lágrimas que gritavam felicidade, aquelas mãos que se apertaram com tamanha força, aqueles sorrisos em rostos molhados que diziam tudo. 
Há um ano atrás, vi-lhe o sorriso mais feliz de sempre. E, naquela tarde, tive a certeza que, afinal, também ele tinha a sua preferência. A nossa Margarida. 

Esse momento fez-me acreditar que ele tinha acabado de ganhar uma menina do papá e que ela, a nossa Margarida, tinha ali conquistado um companheiro para a vida. 

A Margarida anunciou-se no verdadeiro Dia do Pai. Um Pai com letra maiúscula, como ele gosta de escrever.

O dia 1 de Novembro marca o nascimento do pai da Margarida. O dia 1 de Novembro de 2013 passou a marcar, para sempre, o nascimento dos pais da Margarida. 

P.s.: Parabéns, meu amor.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Amigos, amigos... filhos à parte

Que a chegada de um filho vem mudar radicalmente o mundo dos pais, não é novidade para ninguém. A vida, tal como a conhecíamos, deixa de existir. São outras rotinas, outros interesses, outras preocupações, outras alegrias e, principalmente, outras prioridades. Mais concretamente no caso das mães, que nos primeiros meses vivem disponíveis 24/7 para as suas crias, a identidade perde-se um bocadinho ali pelo meio. Passamos a ser tratadas por "mãe" ou "mamã", seja na maternidade, no pediatra, ou no centro de saúde. O peso de sermos a mãe de alguém tem tanto de fascinante quanto de assustador. Esse peso vem moldar-nos e, em alguns aspectos, chega mesmo a mudar-nos, de forma irreversível. 

Levou algum tempo até que me voltasse a sentir eu mesma. Que sentisse essa vontade. Que conseguisse integrar e assimilar o meu novo papel. Era, então, altura de recuperar os pedacinhos do antes, aqueles que ainda fazem sentido, que me interessam, apaixonam e fazem sentir viva. Até que, a meio do processo, percebi que muitas das coisas que antes faziam parte do meu dia-a-dia e da minha lista de interesses e prioridades já não me pertenciam mais. O mesmo acontece com as pessoas. Por força das circunstâncias, minhas ou delas, as vidas ganham novos rumos. 

Depois de ser mãe, as minhas prioridades alteraram-se, é certo. Sei que estou em falta para com alguns amigos, sei que uns entendem, outros nem por isso. A verdade é que esses novos rumos fazem com que se passem semanas, meses, até que o tão falado café se concretize. A diferença reside na disponibilidade, a diferentes níveis. No início desta aventura, nem disponibilidade emocional tinha para um simples café, para outros assuntos, outras pessoas. Mea culpa! 

Mas, depois de ter passado uns meses nessa espécie de bolha, olho para o resto do (meu) mundo e vejo que, assim que a maternidade entrou em cena, também as amizades se alteraram profundamente. Refiro-me, sobretudo, à forma como os amigos passaram a ver-me e a lidar comigo.

Primeiro, aqueles amigos que se interessam. Gostam de nós, fazem parte da minha vida e querem que a coisa permaneça da mesma forma, adicionando alegremente o novo elemento ao clã. Neste grupo de amigos interessados, reparo que o grau de interesse relativamente à Margarida é sempre proporcional ao desejo que têm (ou não) de ter filhos. Muitas vezes, estes amigos querem saber detalhes mais práticos e concretos, um bocadinho a apalpar terreno, a ver se se imaginam, efectivamente, no papel. Aqueles que nem equacionam vir a ter filhos tão cedo, perguntam, gostam de saber, mas sem exageros - umas fotos e umas gracinhas bastam!

Depois existem aqueles amigos que, além de se interessarem, entendem. Nesta classe de amigos, mais raros, alguns deles são amigos recentes, igualmente com filhos, aqueles que a maternidade trouxe ou aproximou. Estes amigos gostam de trocar ideias e de acompanhar, falam a mesma língua, entendem a importância de coisas mínimas, têm um efeito 'normalizador' e, o melhor de tudo, quando são realmente amigos, conseguem vibrar, também, com o desenvolvimento da Margarida. E eu com o dos filhos deles.

E, por último, descobri que existem os amigos que evitam tanto o assunto bebés e crianças, que passam a evitar-nos a nós também, como se de uma doença contagiosa se tratasse. Assumem que a nossa vida, simplesmente, passou a resumir-se a isso. Que vamos falar apenas disso. Que passamos para o lado de lá da barricada. E porque é que isso os afecta tanto? Tenho para mim que são precisamente essas as pessoas que mais se assustam com a ideia de ter filhos, como se isso mexesse com alguns fantasmas que imploram por um exorcismo. Em suma, evitam-nos, como forma de evitar o que lhes vai lá dentro.

À excepção do grupo de amigos que também têm filhos, a maternidade parece ter vindo criar uma espécie de fosso. Uns querem fazer parte, mas não sabem muito bem como nem quando, outros não querem de todo, porque, afinal, existe um apêndice que se baba como se não houvesse amanhã.

Com ou sem filhos, todas as amizades se assumem de diferentes formas, com diferentes papeis, finalidades, graus de intimidade e companheirismo. Com a Margarida, a minha disponibilidade, a todos os níveis, passou a valer ouro e eu sei bem com quem a quero e devo partilhar. Posso retomar muitas das coisas que me interessam, apaixonam e fazem sentir viva, mas sei que a vida nunca mais será a mesma. Mas essa é uma bagagem minha. Não ando a impingi-la a ninguém. A Margarida não está sempre comigo. Eu não falo apenas da Margarida. Não me interesso apenas pela Margarida. Sou a mesma, mas sou agora mais, porque sou, também, a mãe da Margarida.

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